Intrusa na Cozinha
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Se há uma coisa em que os portugueses têm orgulho é na gastronomia. Todos enchemos o peito e levantamos o queixo aquando se trata de falarmos da nossa cultura gastronómica, na sua riqueza, diversidade e sabor. Não será com certeza a única coisa em que temos orgulho, mas é claramente um tema onde existe um grande consenso.
E eu acho que temos todas as razões para nos sentirmos orgulhosos. Temos, sem reservas, uma gastronomia riquíssima e variadíssima. Podemos ser pequenos em espaço geográfico, mas somos gigantes no que toca a receitas cheias de tradições e que destacam as principais riquezas nacionais.
Não poderia deixar passar o mês dedicado ao tomate sem trazer uma receita bem tradicional portuguesa: o nosso arroz malandrinho de tomate.
Uma receita que pessoalmente adoro e que me lembra sempre os tempos de miúda, uma vez que foi nessa fase da minha vida que mais o comi.
Era uma receita repetida muitas vezes, quase sempre acompanhada por peixe frito, ou uns não menos tradicionais pastéis ou pataniscas de bacalhau.
E o aroma que paira na minha cozinha quando o faço leva-me sempre para outras cozinhas onde o vi tantas vezes ser feito… pela minha tia… pela minha mãe… pelo meu avô.
Todos terão a sua versão. Uns colocam mais este ou aquele ingrediente. Mas o que importa é a tradição com que ainda se faz e o conforto que transmite quando o saboreamos.

Em jeito de hino à nossa cultura e tradição gastronómica, trago então o meu arroz malandrinho de tomate.





Esta é uma receita especial, elaborada para uma pessoa igualmente especial.
Há algum tempo, mais do que aquele que gostaria, desafiei a Elizabete a escolher uma receita do livro que ela me ofereceu aquando do Desafio Açoriano.
A receita eleita foi o Polvo à moda da Terceira.
Não sei se estará totalmente de acordo com a tradição açoriana, mas tentei seguir ao máximo as instruções do livro.
A receita é muito simples de elaborar, e tendo como base poucos ingredientes, o segredo para o sucesso está na qualidade dos produtos que são usados. Infelizmente não consegui usar vinho de cheiro, com grande pena, porque acho que esse será exatamente o elemento chave que marca a diferença. Mas na sua ausência, um bom vinho tinto deverá ser sempre a opção.

Elisabete, minha querida, tenho que te dizer que a receita fez sucesso, e obrigado por divulgares a cozinha tradicional Açoriana. Beijinhos




Gosto imenso de  Cozido à Portuguesa   mas nunca tinha feito.
Decidi aproveitar o facto de querer juntar a família, e fazer um prato que faz as delícias de todos cá em casa.
É um prato relativamente fácil de fazer, mas moroso e que precisa da nossa atenção, senão corremos o risco de deixar alguma coisa cozer demasiado, ou ficar com falta ou excesso de tempero.
Foi assim uma manhã que começou bem cedo, mas que se revelou muito proveitosa; reuní a família à minha mesa, em amena cavaqueira, com uma refeição bem portuguesa e deliciosa e que sabe tão bem nestes dias mais frescos, e que foi elogiada por todos - espero que não só por simpatia :)




Ingredientes (12 pessoas):
600g Osso Buco
500g Lombo Porco
500g de Entremeada de Porco
500g de Entrecosto de Porco
1/2 Galinha
1 Chispe de Porco do Pé ou da mão (~800g)
1 Orelha de Porco (~500g)
1 Chouriço de Carne
1 Chouriço de Sangue
1 Morcela da Beira Litoral
1 Farinheira da Beira Litoral
1 Couve Lombarda grande
1 Couve Portuguesa grande
3 Cabeça de Nabos (sem rama)
6 Cenouras
6 Batatas
Hortelã (1 mão de folhas)
1 chávena de chá de Arroz Vaporizado
200g de Feijão Branco
Sal grosso q.b.

Preparação:

No dia anterior
Tempere as carnes (menos os enchidos) com sal grosso, no dia anterior ao da cozedura.
Coloque o feijão num alguidar com bastante água, também no dia anterior ao da cozedura.

No dia
Coloque as carnes, excepto o frango e os enchidos, numa panela grande com água suficiente para as cobrir e junte a hortelã e mais um pouco de sal. Deixe cozer até verificar que estão cozidas, o que deverá acontecer em diferentes momentos. Retire-as à medida que ficarem prontas e reserve num recipiente tapado, e em local aquecido (eu coloquei dentro do forno com o forno ligado na temperatura mínima possível).
Na mesma água coza o frango. Quando estiver cozido junte às  outras carnes.
Entretanto prepare os legumes: Descasque os nabos, as cenouras e as batatas, e corte-as em quartos. Parte a couve lombarda em quatro pedaços, retire o talo central, e separe as folhas. Separe a couve portuguesa em folhas e retire o talo central. Lave muito bem todos os legumes.
Depois de todas as carnes cozidas rectifique o nível de água e os temperos e aproveite o caldo para cozer os enchidos separadamente. Retire-os e reserve também.
Retire duas chávenas de chá da água das várias cozeduras para um tacho pequeno, deixe levantar fervura e adicione o arroz. Deixe cozer, apague o lume e reserve.
Noutro tacho coloque também água das várias cozeduras e coloque o feijão a cozer. Depois de levantar fervura mantenha o lume em chama média, e vá verificando o nível de cozedura do feijão. Deve levar cerca de 20 a 30 minutos.
No tacho grande e na mesma água, introduza as couves e a cenoura e deixe ferver por uns 10/15 minutos. Rectifique o nível de água e os temperos se necessário. Adicione então as batatas e os nabos. Vá verificando a textura, para não os deixar cozer demasiado, evitando que se desfaçam.
Corte as carnes e os enchidos em pedaços pequenos e coloque numa travessa de servir. Noutra coloque os legumes, o feijão e o arroz.


Nota: este é um prato, que por ter bastante variedade de carnes e vegetais, normalmente acabe sempre por ter sobras.
Aproveite o caldo das várias cozeduras, e faça uma maravilhosa sopa. Leve o caldo a ferver, e depois junte os vegetais que sobraram cortados aos cubos, no caso das batatas, cenouras e nabo, e em juliana fina no caso das couves. Junte uns bagos de massa cotovelos, e deixe a massa cozer.
Acompanhe com as sobras de carne.

                                             É uma verdadeira delícia.


Tenho de confessar que aprecio bastante a cozinha tradicional portuguesa. Não sei se gostarei de todos os pratos, nem sequer posso afirmar que já confeccionei grande parte deles, mas os que comi, posso dizer que gosto muito.
Este é um deles, e que curiosamente nunca tinha feito... 
É tradicional e é muito bom!
E curiosamente descobri que este prato maravilhoso, por sinal, não tem a sua origem no Alentejo, como o seu nome poderá levar a crer, mas sim no Algarve. Durante o Séc. XX a industria conserveira conheceu o seu auge nesta região, e consequentemente gerou outras indústrias à sua volta, nomeadamente o aproveitamento das espinhas dos peixes na confecção de farinhas, que eram usadas depois na alimentação dos suínos. Mas este tipo de alimentação, conferia um sabor estranho à carne dos animais, diziam as pessoas que a carne sabia a peixe, e os suínos do Algarve (apesar de em maior quantidade) não conseguiam competir com a fama e reconhecida qualidade da carne do porco Alentejano.... Reza a "lenda", que um certo dia, uma cozinheira, teve a ideia de experimentar juntar amêijoas, na confecção da carne para que o sabor das mesmas escondesse o sabor a peixe da carne. A moda não tardou a pegar, e até os alentejanos passaram a comer porco do Alentejo, criado no Algarve!








Ingredientes:
750g de carne de porco cortada aos cubos
1Kg de ameijoa
2/3 c. sopa de massa de pimentão
5/6 dentes de alho
sal q.b.
5 batatas grandes cortadas aos cubos
salsa coentros q.b.

Preparação:
De preferência tempere a carne de véspera. Esmague os alhos, junte sal e a calda de pimentão, e envolva a carne nesta mistura.
Num tacho de barro ou numa caçarola de fundo grosso (preferencialmente) deite um generoso fio de azeite (ou banha de porco) e frite muito bem a carne.
Entretanto frite as batatas.
Quando a carne estiver bem frita, junte as ameijoas (previamente bem lavadas) e deixe que estas abram em lume forte.
Sirva a carne acompanhada das batatas fritas, polvilhada com a salsa os coentros.

Bom apetite!

Fontes: Carne de Porco à Alentejana - 1000 Sabores do Mundo - Girassol Edições
História da receita: Montargil.com - Carne Porco à Alentejana - As Origens

Nota:  A Elsa comentou (ver comentários) e com razão, que tradicionalmente esta receita leva coentros e não salsa. Quando a fiz não tinha coentros (que aliás prefiro) e por isso usei salsa. Fica a ressalva. Obrigado!
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Acerca de Mim

Acerca de Mim
O Intrusa na Cozinha foi criado em 2010, com o humilde propósito de registar e fotografar as receitas que eu cuidadosamente preparava para minha família e amigos. Porém, rapidamente se tornou uma parte muito importante da minha vida, onde diariamente aprimoro a minha paixão pela fotografia culinária e food styling.

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